Brave or Fool? It's your choice!

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O restaurante estava mais vazio que o habitual, nem precisaram aguardar muito na fila de espera. Pudera, era a primeira noite de Carnaval. Os foliões estavam por aí curtindo o samba, o axé, o trânsito nas estradas. Isso era mais uma coisa na qual eles concordavam. O carnaval só era bom pelos dias de folga do trabalho, porque todo esse clima carnavalesco não fazia a cabeça deles.
Pediram um chopp cada um, e quando ele cogitou pedir um prato bem acebolado, ela reclamou como sempre reclamava, pois odeia cebola: Ahhh! Vai ficar com maior bafão! Écati!
Ela sorriu, e ele respirou aliviado. Se ela não tivesse essa reação, ele ficaria decepcionado. Abriu mão da cebola, claro, ele sempre abria! E na verdade não pretendia comer mesmo a cebola, fez isto para testá-la, para ter certeza do que já era mais do que certo, de como aquele encontro acabaria. Claro que era queria beijá-lo, e o bafo de cebola não fazia parte de seus planos.
A certeza nas entrelinhas de que um ainda desejava o outro, e os vários canecos de chopps fizeram com o que os receios fossem embora, e eles então já agiam como um casal novamente. Se davam as mãos, se olhavam apaixonadamente, trocavam carinhos…Mas ainda faltava o beijo. Será que continuava a ser gostoso? A boca dele teria ainda o mesmo gosto?  Ela ainda morderia seus lábios de um jeito que o deixava enlouquecido? E o toque no pescoço? A pegada pela cintura? O carinho no cabelo? Continuaria tudo tão gostoso como era?Ainda teria química?
Ela foi ao banheiro, a cerveja já estava fazendo efeito. Aproveitou para se olhar no espelho, arrumou o cabelo, retocou a maquiagem, borrifou um pouco de perfume no pescoço, checou se seus dentes estavam limpos… Ela sabia que quando voltasse à mesa, teria chegado a hora. Atravessou o restaurante sem a precisão de uma linha reta. Não estava bêbada, mas havia bebido o suficiente para deixar a covardia de lado. Para viver o momento, sem pensar no amanhã. Sentia-se alegre e estava feliz naquele instante, e isso era o que bastava.
Quando ela se aproximou da mesa, ele foi para o canto do banco, ela então, não mais sentou na sua frente e sim ao seu lado.  Viraram-se  suavemente de lado, para ficar frente a frente, ele colocou as mãos sobre as coxas dela, ela pendurou-se em seus ombros, olharam-se, mas não fixaram o olhar, estavam cansados de só se olharem…Partiram logo para o beijo. Beijaram-se demoradamente, como se fosse o primeiro, o último, ou todos aqueles que não tinham acontecido durante estes sete anos. Quando pararam de se beijar, ela encostou em seu ombro e continuaram a beber e conversar. Foi aí que veio a vontade nela em perguntar sobre aquela ligação. Isto não saíra da sua cabeça a noite toda. Mas ela não queria que esse papo chato estragasse a noite. Aliás, não queria falar de passado, nem de futuro. Ele também preferia assim. Dessa vez, queriam curtir o presente. O tempo presente. E o presente de terem se reencontrado. E foi isso que fizeram naquele carnaval. Viveram um dia de cada vez, sem planos , mas também sem medos ou culpas.

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Pri Bella

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