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Laudicéia

Posted on: 24/02/2011


Ela não gostava de meio-termo. Era intensa e sabia muito bem o perigo que isto significava, sentimentos e momentos intensos acabavam rapidamente. Mas gostava de viver a vida assim, com altos e baixos, beijos e gritos, amor e ódio. Gostava de sentir o sangue pulsando em suas veias fosse por raiva ou tesão.
E quando precisava encontrar o meio termo, ela se perdia, ela enlouquecia…Não sabia simplesmente ter por alguém um sentimento vago, frio, formal, ela tinha que gostar ou desprezar.
Ela achava que esse era o jeito certo de viver a vida, afinal tava ali na bíblia, escrito na carta de Laudicéia: seja quente ou seja frio, não seja morno que eu te vomito.
E foi nisso que ela acreditou até o último dia de sua vida. Viveu intensamente e teve uma morte teatral e dolorosa.

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A lona desarmou. O circo fechou. O público já riu. A bailarina já deu seu show e o leão engoliu o domador. O equilibrista que achava que ao público agradava se desequilibrou da linha tênue e feio se machucou. E o palhaço de nada adiantou contar piada, se na verdade era da malabarista desengonçada que todos davam risada. É, respeitável público, o picadeiro esvaziou!


Aquele cheiro de Yakissoba invade as ruas. Conforme vou me aproximando da banquinha, vou ficando mais enjoada. Não gosto do cheiro, da aparência, e tenho certeza que odiarei o gosto se experimentar. É, este é um daqueles casos: nunca comi, mas não gosta não!
E por mais que o estômago embrulhe, não mudo de calçada, nem arrisco outro itinerário. O aroma pode até me causar náuseas mas me traz lembranças deliciosas. Yakissoba cheira Avenida Paulista na época do cursinho. Foi quando começou a virar modinha vender a especiaria, igual se vende milho, em carrocinhas espalhadas pela avenida. A galera comprava seu “prato” e sentava ali no escadão da Gazeta com o isopor e a colher de plástico. E lambuzavam-se.
Ah! Aquele escadão….
Foi apenas um ano de cursinho, mas que marcou como se tivessem sido os quatro de faculdade. Estudar que é bom nada! Tolice minha, eu sei! Mas tolice que me rendeu boas risadas, paqueras inocentes ainda no estilo adolescente-mandando-recadinhos, passeios noturnos pelo calçadão da Paulista, descoberta de paradas obrigatórias como o antigo (e ainda bom) Black Dog e o Charme da Paulista. Naquele famoso escadão eu chorei, ri até doer a barriga, discuti, emburrei, beijei, filosofei, conheci pessoas interessantes, li livros incríveis, estudei para o vestibular, fiquei parada só observando aquele mundo de gente passar apressada. Foi ali também que jurei pela primeira vez amar alguém eternamente…
Todas ações sempre foram acompanhadas do cheiro de Yakissoba impregnando em nossos narizes..

(texto adaptado do original publicado em 11/09/2008)


A piada pode ser a mais engraçada do mundo, daquelas que te fazem chorar de rir, mas ela inevitavelmente irá perder a graça se você ouvi-la 100 vezes em seguida. Semelhante acontece com aquele brinquedo novo que a criança ganha no Natal e antes que as férias acabem ela já enjoou de tanto que brincou, e então o deixa de lado e pede um novo pro papai.
Só não consigo fazer esta analogia com músicas ou filmes, porque por mais que a letra ou enredo sejam os mesmos, o nosso humor e sentimentos mudam. E a cada mudança a música pode te emocionar de um jeito diferente, e de repente aquele acorde que você nunca tinha prestado atenção faz com que a melodia ganhe um sentido totalmente novo quando você finalmente o percebe. Ou então, aquele filme pode provocar as mais diversas reações, de choro a riso, de excitação a tédio, dependendo de quando, como, aonde e com quem você o assiste….E claro, do seu estado de espírito.
Porém, consigo fazer esta analogia com pessoas….Pessoas monótonas, previsíveis, que têm medo de sentir, de se entregar, de sair da zona de conforto, de chorar, de amar, de viver intensamente. Pessoas que não sabem surpreender, se reinventar… Estas pessoas me cansam como um brinquedo velho e perdem a graça como uma piada mil vezes contada.


Estação Santa Cruz. As portas se abrem e duas meninas, biologicamente dizendo, entram no metrô. Uma loira, de olhos claros, cabelos compridos, blusa de frio subindo que deixava sua barriguinha saliente à mostra, calça jeans skinny, chinelo havaianas slim, unhas do pés vermelhas. A outra tinha os traços lindos, mais do que os da sua colega. Cabelo curtinho com um corte moicano, olhos verdes, camiseta preta de manga comprida e gola alta, calça xadrez, tênis, piercieng e alargador. Era evidente a vontade de esconder a sua feminilidade e deixar evidente a sua taxa de testosterona. Entraram no metrô e o papo já estava fluindo. A loira dizia:
– Ela não pode ter este filho. Não completou nem o colegial. Vai fazer o que da vida? Vai ser mais uma faxineira com filho analfabeto?

-É…

– Ela tá cada dia dando pra um, claro que ia acabar grávida. Mas eu falei tem que tirar. Ela não tem nem colegial, o pai da criança também não…

– E ela vai ter o filho?

– Diz que vai! Que loucura!

Algumas estações passaram, e por algum motivo perdi um pedaço da conversa, quando me liguei novamente, elas já haviam mudado de assunto, e a loira tagarela dizia:

– Se você gosta de mulher, o problema é seu! Ninguém tem nada a a ver com sua vida. Que mania que esse povo tem de falar da vida dos outros… Sabe o que é? Acho que a vida deles é tão desinteressante que eles têm necessidade de ficar falando dos outros…Aff!!!

A voz anuncia: Estação Ana Rosa. A “menininha” desce e se despede do “menininho” com um beijinho no rosto. Esta então, encosta na porta do metrô, volta a escutar seu I-pod e a ser alvo dos curiosos do vagão, que  neste momento devem pensar coisas do tipo: Nossa! Tão bonita! Por que quer virar macho desse jeito?!

A outra?! Bem, a loira deve estar por aí, tentando fazer algo interessante da vida, afinal, alguém certa vez disse que quem fala da vida dos outros é porque sua própria vida é desinteressante, não é mesmo?!

(texto originalmente publicado em 12/06/08)


Pri Bella

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