Brave or Fool? It's your choice!

Archive for outubro 2012


Durou mais do que o comum, pelo menos foi esta sensação que eu tive, mas enfim, ele se foi. Não que ele tenha sido um vilão na minha vida, pelo contrário até, mas temos que saber a hora de dizer tchau, aliás, foi ele quem me ensinou isto. Hoje me despeço dele, e olha só, que ironia! Justo ele, que me obrigou a me despedir de tanta gente amada.  A certeza de um adeus ou a expectativa de um até logo, não importa, em ambas as situações eu o culpei e desejei que ele não tivesse passado pela minha vida.
Mas agora cá estou, com coração apertado em me despedir dele, já sinto até certo saudosismo, porque eu também o agradeci, o brindei, e desejei que alguns dos nossos momentos fossem eternos. Descobri tanta coisa com ele, coisas do mundo, coisas em mim que eu sequer imaginava. Ele me confrontou, e fez de mim mais forte, mais segura, e elevou minha auto-estima, e foi daí, que veio a vontade de que ele ficasse um pouco mais. Ele trouxe para a minha vida pessoas queridas, mesmo sabendo que inevitavelmente mais cedo ou mais tarde também chegará a hora de me separar delas, eu o agradeço por isto.
Sabe porque ele foi diferente dos outros ? Importante pra mim? Porque ele me proporcionou altos e baixos incríveis, permitiu que eu vivesse naquela intensidade insana que estranhamente me faz tão bem. Com ele não tive medo, mas também não tive certezas, foi tudo acontecendo, sem pretensões, sem programação e com momentos sempre permeados com muita dor ou com muita vontade de viver.
Hoje, me despeço de você, Outubro, como me despedi de outras pessoas queridas que de uma maneira ou outra, definitivamente ou não, saíram da minha vida neste período, com gratidão, com carinho, com boas lembranças, e com aquela saudade gostosa que traz o sorriso de canto de boca nas horas mais incertas.

“Aquele que sabe viver também sabe morrer. Aquele que sabe cair de amores também sabe o momento de cair fora dele. Ele faz isso com graça, com um adeus, com gratidão. As pessoas não sabem amar e, por isso, não sabem dizer adeus quando chega a hora. Se você ama, saberá que tudo começa e tudo tem fim, que há um tempo para começar e um tempo para terminar e que não há qualquer dor nisso. A pessoa não sai ferida: ela simplesmente sabe que a estação terminou. Ela não se desespera: simplesmente entende e agradece ao outro: “Você me concedeu tantas dádivas maravilhosas, me deu novas visões da vida, abriu algumas janelas que eu nunca teria aberto por mim mesmo. Agora chegou o momento de nos separarmos e de tomarmos rumos diferentes.” Sem raiva, sem fúria, sem ressentimento, sem qualquer reclamação, mas com uma imensa gratidão, um imenso amor, com o coração cheio de agradecimento.” (OSHO)

Novembro, surpreenda-me, e então, você também deixará saudades!

R.I.P.

Posted on: 26/10/2012


Há quase 40 anos, um rapaz, que viria a ser meu pai, descobriu enfim o que era ter uma mãe, experiência da qual até então ele havia sido privado. Pouquíssimas coisas nesta vida são unanimidade, uma delas é que não existe melhor acalento que o amor de mãe.
Por motivos que não cabem a mim julgá-los, a mãe biológica do meu pai abandonou ele e os irmãos com meu avô, quando todos ainda eram crianças. Alguns poucos anos depois, meu pai conheceu o Mario e se tornaram grandes amigos. E não precisou de muitos dias para que a mãe do Mario, a VÓ Maria, acolhesse de braços e coração abertos o meu pai como seu filho.
Não quer dizer que ela tenho o adotado, nem que meu pai deixou de morar com meu avô, mas a Maria solidária e amorosamente deu ao meu pai tudo que dava aos seus filhos, Mario e Silvia. Amor, colo, bronca, conselhos, carinho, reconforto, porto-seguro…
Em nenhum momento ela titubeou deste papel que escolheu cumprir. E é por isto que desde que me conheço por gente eu recebo dela o amor e dedicação de uma avó. Nunca teve um aniversário meu que ela não tenha me ligado, um Natal que ela  tenha deixado de me dar um presente, ou um abraço que ela tenha me dado que não tivesse vindo acompanhado de conselhos e de um “te amo” tão sincero que me fazia sorrir só de ouvi-lo. O abraço dela era forte, era caloroso, era verdadeiro…ai, como irei sentir falta dele!
Há algumas semanas meus pais foram visitá-la no hospital, minha mãe me contou que quando a enfermeira entrou no quarto, a vó apresentou meu pai à ela: – Este é meu outro filho.
A enfermeira falou: -Não! Mas ele é moreno, os outros são tão clarinhos!
Aí a vó falou: – Que diferença faz? Ele é meu filho, como os outros dois.
Ontem, 25 de outubro de 2012, meu pai completou 53 anos, e pela primeira vez, o telefone não tocou pela manhã com a ligação dela.
Por uma destas ironias do destino, a vó foi para o outro plano no mesmo dia em que meu pai celebrava mais um ano de vida. E como eu não acredito em coincidências, eu sei que a data escolhida não foi por acaso. Foi para que todo ano quando meu pai estiver comemorando mais um aniversário, ele se lembre que em algum lugar deste mundo tem alguém que o ama incondicionalmente. Que a vida deu a eles a chance de se escolherem. E eles não deixaram esta oportunidade escapar. Disseram sim à vida e ao amor.
Vá tranquila, que os espíritos de luz a conduza para um belo lugar.Sua missão nesta vida foi cumprida com louvor, minha querida! Nos reencontramos em breve. Me aguarde com uma xícara daquele seu café amargo que a gente enchia o saco mas não podia faltar em nossas visitas.
Saudades e amor eterno!


Maria adormeceu, está num sono profundo na torre mais alta do castelo e protegida por bravos guardiões armados que têm a árdua missão de não deixar ninguém acordá-la. Maria é uma princesa que quando decide ultrapassar a muralha traz confusão na certa!
Maria é frágil e logo perde o controle da situação, porque está sempre agindo com o coração. Ah! E isto faz de Maria uma pessoa tão volúvel, tão garotinha…  Maria chora demais, adora posar de inocente e apaixonada. Maria chega a ser sem graça de tão normal que ela é! Não encanta ninguém, não tem mistérios, pode ser facilmente entendida e desconstruída em poucos dias de convivência. Maria tem sonhos clichês e acredita nas pessoas com facilidade. Ela não nasceu para batalhas, mas vez ou outra insiste em encarar os cavaleiros armados. Mesmo com toda esta palidez e apatia, ninguém consegue contê-la quando deseja (tentar) assumir o controle da situação. O problema é que ela não sabe o que fazer com o poder que lhe é concedido. Ela logo entrega as suas armas para quem lhe oferece ajuda, e fica sem proteção. Quando atacada, ela não sabe pra onde correr e nem aonde se esconder, então sempre acaba atingida. E chora, chora, chora. . . .
Aí ela foge, volta correndo para a torre, se tranca no seu mundo e deixa lá a guerra armada, os cavaleiros raivosos, os cavalos ouriçados, o sangue talhando no chão, o ódio despertado, a luta mal começada mas já perdida.
Enquanto a poeira sobe no campo de batalha, covarde e estrategicamente Maria dorme.
Os guardiões podem ser rendidos a a qualquer momento, mas não por qualquer um, e quando Maria acordar tudo já vai estar limpo e organizado pronto pra ela bagunçar novamente.

Descanse Maria! Você ficou no controle mais tempo do que de costume, agora durma…Por quanto tempo? Indefinidamente…

*Conheço Maria também pela alcunha de alter-ego. E vice-versa. Versa-vice.
**Indefinitely não é sinônimo de para sempre. Ao contrário do que diz a dublagem de Notting Hill na Sessão da Tarde.


[ Para ler ouvindo:  ]

Daqui exatamente 24 horas ele parte. Vai pra longe, e nunca mais volta. Ninguém sabe do futuro, mas todo mundo tem sua intuição. Uns a respeitam, outros não, alguns nem sabem como escutá-la. Eu escuto e respeito a minha, e é ela quem me diz que ele não vai mais voltar.
Foi confiando nela também que dei continuidade a esta estória louca que nem você que está lendo, nem você que já escutou da minha boca cada detalhe, e nem você que viveu ela comigo entende. E oh lord! Como me torturei para tentar entender, como me culpei por sentir o que estava sentindo, e como me xinguei de otária por estar indo contra todas as evidências e escutando e apostando apenas na minha intuição, em mais nada, só nela que me dizia: viva isto, e foda-se o resto! (minha intuição fala tão educadamente quanto eu).
Sabe o dia que parei de lutar contra tudo isto e decidi me entregar? Foi quando descobri que a mudança de país já tinha data definida. Se ele estava indo embora, não havia muito a pensar, nem com o que me preocupar. Isto tudo tinha data marcada para acabar.
Então me entreguei, e resolvi embarcar na fantasia. Porque vivemos uma estória, não foi fairy tale, porque definitivamente eu não tenho vocação pra princesa, e ele menos ainda pra príncipe. Mas foi um conto. Uma fantasia real, criada por nós, num mundo que ninguém mais teve acesso, só eu e ele.
Tentei viver estes últimos dias com a maior intensidade que pude, só não consegui mais, porque ele não se permitiu. Talvez por falta de tempo, talvez pelos compromissos com a vida real, ou talvez simplesmente porque ele não seja um doido que nem eu que goste de sentir a dor até a última gota de sangue ou o prazer até a última gota do gozo. Eu sou assim, inteeeeeensa, lembra?
Eu já falei uma vez, acho que aqui inclusive, que as melhores coisas da minha vida sempre acontecem despretensiosamente. E foi exatamente assim, não sei como, nem porque, mas a gente se conheceu, e meio que sem pensar, resolvemos nos encontrar e a conexão que tivemos ultrapassa qualquer explicação racional, física ou científica.
Esta semana nos despedimos. E sabe o que é engraçado? Foi totalmente diferente do que planejamos (mais uma vez), mas foi uma tarde apaixonante. Tinha muitas coisas que eu gostaria de ter feito, e principalmente falado, e não fiz/falei. Perguntas, perguntas, perguntas…Nossa! Estas eu tinha aos montes. A gente se conhece tanto mas sabe tão pouco um sobre o outro.  Mas também não as fiz…
Optei por deixar tudo isto pra lá, se nada tinha vindo à tona até aquele momento era porque não tinha importância pra gente, pra que desperdiçar cada minuto tão precioso daquele último encontro? Preferi focar nos detalhes que vão ficar na minha memória…A barba que tava malfeita aquele dia (coincidentemente ou não, é assim que eu gosto), seus dentes retinhos que contemplam aquele sorriso lindo, a sobrancelha grossa, uma manchinha vermelha no pescoço, os braços com as veias sobressalientes, nossos olhos nos olhos enquanto conversávamos, suas mãos (ah! suas mãos!), suas piadas sem graça, e a primeira vez que ele finalmente falou com coração, com sentimentos e não somente com explicações filosóficas…
Só queria estar ali, de novo, e pela última vez com ele, para que eu pudesse enfim fechar aquele livro e guardá-lo cuidadosamente na gaveta.
E foi o que aconteceu, a gente acabou o conto sem o  “viveram felizes para sempre” mas com amor. Porque na vida real as pessoas morrem de medo de dizer que amam, né? Na nossa estória não existe este medo, a gente se amou, sabemos disto. E o nosso amor nos libertou.

Voe, meu amor!  Ganhe o mundo porque você é dele, e não meu! O que me pertence são as lembranças desta história (pq sim, ela tb faz sentido com H) e isto nada apaga da gente, muito menos a distância do mapa mundi.
Eu vou deixar o livro guardado mas sem o final escrito,como vc mesmo me disse, ele pode acabar com reticências e todos ficarem com a sensação de que faltou o final, ou um dia desses a gente pode voltar a escrevê-lo. 😉

P.S: Você nem é  mesmo aquela Coca-Cola toda! Doce demais pro meu paladar.rs


Pri Bella

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