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Maria adormeceu, está num sono profundo na torre mais alta do castelo e protegida por bravos guardiões armados que têm a árdua missão de não deixar ninguém acordá-la. Maria é uma princesa que quando decide ultrapassar a muralha traz confusão na certa!
Maria é frágil e logo perde o controle da situação, porque está sempre agindo com o coração. Ah! E isto faz de Maria uma pessoa tão volúvel, tão garotinha…  Maria chora demais, adora posar de inocente e apaixonada. Maria chega a ser sem graça de tão normal que ela é! Não encanta ninguém, não tem mistérios, pode ser facilmente entendida e desconstruída em poucos dias de convivência. Maria tem sonhos clichês e acredita nas pessoas com facilidade. Ela não nasceu para batalhas, mas vez ou outra insiste em encarar os cavaleiros armados. Mesmo com toda esta palidez e apatia, ninguém consegue contê-la quando deseja (tentar) assumir o controle da situação. O problema é que ela não sabe o que fazer com o poder que lhe é concedido. Ela logo entrega as suas armas para quem lhe oferece ajuda, e fica sem proteção. Quando atacada, ela não sabe pra onde correr e nem aonde se esconder, então sempre acaba atingida. E chora, chora, chora. . . .
Aí ela foge, volta correndo para a torre, se tranca no seu mundo e deixa lá a guerra armada, os cavaleiros raivosos, os cavalos ouriçados, o sangue talhando no chão, o ódio despertado, a luta mal começada mas já perdida.
Enquanto a poeira sobe no campo de batalha, covarde e estrategicamente Maria dorme.
Os guardiões podem ser rendidos a a qualquer momento, mas não por qualquer um, e quando Maria acordar tudo já vai estar limpo e organizado pronto pra ela bagunçar novamente.

Descanse Maria! Você ficou no controle mais tempo do que de costume, agora durma…Por quanto tempo? Indefinidamente…

*Conheço Maria também pela alcunha de alter-ego. E vice-versa. Versa-vice.
**Indefinitely não é sinônimo de para sempre. Ao contrário do que diz a dublagem de Notting Hill na Sessão da Tarde.


“O que está faltando nessa história é o choro. Você precisa chorar” – disse a psicanalista.

A sessão encerrou e Maria ainda ficou ali, em silêncio, pensativa, concordando com o que acabara de ouvir. Faltava extravasar fisicamente aquele maremoto que há semanas passeava pelo seu corpo e ameaçava afogá-la a qualquer momento.
Maria só saiu do consultório porque foi gentilmente expulsa pela analista, e ainda assim foi pra casa pensativa, sentindo as ondas irem e voltarem no seu estômago.

Tentou ajuda de filmes, músicas, lugares, qualquer coisa que a fizesse lembrar daquela história e pudesse provocar o vômito que era necessário pra se livrar de uma vez daquela azia.
Nada funcionou. E o pior era que em determinados momentos o mar se acalmava, e aquela sensação do vai e vem leve da marola a tomava, a deixava rendida e entregue aos encantos de Poseidon.

Naquela mesma noite da sessão de psicanálise, quando aquele dia perturbador já estava próximo de acabar, veio a oportunidade daquele choro finalmente sair.
No meio de uma conversa com meias-verdades, ela foi acusada de coisas que não fez, se sentiu incompreendida, falou só metade do que queria dizer, e descobriu sentimentos nela que a incomodou, porque ela acreditava que não tinha o direito de senti-los…Não por ele, não naquele momento. Ela se viu numa DR de uma relação que não existia. Ela se culpou, ela o culpou, ela se revoltou e ele fez birra. Ele encerrou a discussão no GRITO: CHEGA!
Pronto! A cena estava feita, parecia que cada detalhe tinha sido desenhado minuciosamente para que o desejo da pscicanalista se realizasse.
Maria então sentiu um tsunami se formando no peito, que subiu violentamente pela garganta e quando foi se libertar nos olhos, as lágrimas endureceram. Maria forçou mas não conseguiu chorar. Não conseguia também entender. . .Não entendia nada. Nem o que sentia, nem a discussão que acabara de ter, e nem porque prendia esse choro, como se com isso pudesse prolongar aquela história que já começou com prazo de validade vencido.

Com tudo engasgado e misturado dentro dela, Maria adormeceu e sonhou com ele. Acordou exatamente às 11h39 do dia 22 de setembro de 2012, no Equinócio. Sorriu para o universo agradecendo a resposta. Levantou-se, abriu a janela, viu a primavera florescendo, sentiu o vai e vem das ondas calmas se movimentando em seu peito, sem pressa, no ritmo da primavera. E foi assim, enquanto sentia a brisa calma no rosto, e ouvia os pássaros brindando a estação que chegara, que as lágrimas rolaram no rosto de Maria discretamente, sem dor, sem pensar em nada, só com a chegada da Primavera.


Pri Bella

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