Brave or Fool? It's your choice!

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E foi então que entendi o real significado de compersão. Não a definição, essa qualquer um pode descobrir com a ajuda do Wikipedia , mas o significado é preciso sentir pra saber. E eu estranhamente senti. JUSTO Eu, tão ciumenta, possessiva, e todo aquele blá blá blá que estupidamente costumo usar para me auto-definir.
A limitação da definição caiu por terra quando me vi abrindo mão de uma satisfação momentânea, infantil e egoísta por algo muito maior. Pela felicidade e tranqüilidade de outra pessoa. Por uma história que não merece ser manchada por sentimentos mesquinhos.

“Definir é Limitar” – Oscar Wilde

Eu não procurei pela oportunidade, ela mais uma vez, caiu no meu colo inesperadamente. O universo sempre me presenteia. Esta oportunidade podia ser um cavalo de Tróia, caso eu a agarrasse, mas podia ser também um presente valioso: a chance de sentir algo novo, caso eu a deixasse passar.
It was my choice!


“O que está faltando nessa história é o choro. Você precisa chorar” – disse a psicanalista.

A sessão encerrou e Maria ainda ficou ali, em silêncio, pensativa, concordando com o que acabara de ouvir. Faltava extravasar fisicamente aquele maremoto que há semanas passeava pelo seu corpo e ameaçava afogá-la a qualquer momento.
Maria só saiu do consultório porque foi gentilmente expulsa pela analista, e ainda assim foi pra casa pensativa, sentindo as ondas irem e voltarem no seu estômago.

Tentou ajuda de filmes, músicas, lugares, qualquer coisa que a fizesse lembrar daquela história e pudesse provocar o vômito que era necessário pra se livrar de uma vez daquela azia.
Nada funcionou. E o pior era que em determinados momentos o mar se acalmava, e aquela sensação do vai e vem leve da marola a tomava, a deixava rendida e entregue aos encantos de Poseidon.

Naquela mesma noite da sessão de psicanálise, quando aquele dia perturbador já estava próximo de acabar, veio a oportunidade daquele choro finalmente sair.
No meio de uma conversa com meias-verdades, ela foi acusada de coisas que não fez, se sentiu incompreendida, falou só metade do que queria dizer, e descobriu sentimentos nela que a incomodou, porque ela acreditava que não tinha o direito de senti-los…Não por ele, não naquele momento. Ela se viu numa DR de uma relação que não existia. Ela se culpou, ela o culpou, ela se revoltou e ele fez birra. Ele encerrou a discussão no GRITO: CHEGA!
Pronto! A cena estava feita, parecia que cada detalhe tinha sido desenhado minuciosamente para que o desejo da pscicanalista se realizasse.
Maria então sentiu um tsunami se formando no peito, que subiu violentamente pela garganta e quando foi se libertar nos olhos, as lágrimas endureceram. Maria forçou mas não conseguiu chorar. Não conseguia também entender. . .Não entendia nada. Nem o que sentia, nem a discussão que acabara de ter, e nem porque prendia esse choro, como se com isso pudesse prolongar aquela história que já começou com prazo de validade vencido.

Com tudo engasgado e misturado dentro dela, Maria adormeceu e sonhou com ele. Acordou exatamente às 11h39 do dia 22 de setembro de 2012, no Equinócio. Sorriu para o universo agradecendo a resposta. Levantou-se, abriu a janela, viu a primavera florescendo, sentiu o vai e vem das ondas calmas se movimentando em seu peito, sem pressa, no ritmo da primavera. E foi assim, enquanto sentia a brisa calma no rosto, e ouvia os pássaros brindando a estação que chegara, que as lágrimas rolaram no rosto de Maria discretamente, sem dor, sem pensar em nada, só com a chegada da Primavera.


E foi então, enquanto eu procurava inspiração para começar este texto, que ele soltou um sonoro: FILHO DA PUTA enquanto assistia ao futebol.
Aquela voz firme ecoou em minha memória e imediatamente me lembrei da nossa história. Daquela barba malfeita roçando em meu rosto, dele me puxando pela cintura com uma das mãos, enquanto segurava um copo de cerveja com a outra. Lembrei do seu sorriso lindo, ora meigo, ora sacana, mas que em qualquer das situações me enfeitiçava…

E imediatamente me dei conta do porquê que a inspiração para escrever sobre aquela outra história não vinha, apesar de eu estar há horas lembrando dos momentos que vivemos, das palavras que ele me disse, dos nossos beijos, do seu rosto lisinho, suas tatuagens, seu interesse por astrologia, filosofia, teoria do caos…
Sentia que precisava vomitar tudo que estava entalado em minha garganta sobre esta história. Escrever sobre o assunto seria a melhor opção, sempre é…
Mas não consegui rabiscar sequer a primeira linha deste texto até ouvir o FILHO DA PUTA (interprete como quiser, a dubiedade é proposital)…

Pronto! Já me sinto aliviada! Mas, peraí? Eu falei sobre outro caso…Por que este alívio?

Porque conclui subitamente que aquela história antiga mas que ainda faz meu “beat acelerar” foi paixão. Esta de agora era só pressa de ser feliz. E as pessoas com pressa de serem felizes fazem cada bobagem!

NOTA DA AUTORA: Como o próprio nome do blog sugere, vc pode ser um corajoso ou um bundão. A escolha é sua! Eu escolhi ser corajosa, e escrevi aqui bem claramente os personagens reais…
Quero ver se vcs dois tb são corajosos! Se lerem, com certeza irão se identificar, então, deixe-me saber de alguma maneira que você o leu e o entendeu. . .
😉


[ O texto é de 2008. Mais especificamente, está datado no meu antigo blog como 10/02/2008]


Agora uma das paredes é rosa. A bicicleta continua servindo de mancebo. No mural tem fotos antigas, continuo por lá, talvez por esquecimento, ou sei lá, às vezes não. Sei que estou bonita no retrato, e o sorriso da época boa em que vivíamos é o que se destaca, é provável que seja este o motivo da sua permanência no mural.
O portão é o mesmo, as vozes são as iguais. O cigarro não mudou, só a quantidade que aumentou. Fotos velhas em uma caixa. Talvez tê-las visto não tenha sido uma boa ideia, ou talvez sim. Sei lá. A dúvida e o desconserto pairam no ar. A voz mantém o mesmo tom enjoado, mas o discurso amadureceu. Lembranças…Ah lembranças boas! Nomes estranhos. Velhos conhecidos. Qualquer deslize pode ser fatal. Olhar afável  que antes era respondido imediatamente com meu olhar de repreensão ou aprovação. Ah, era telepatia!
Na minha frente um velho amigo que agora é um semi-desconhecido. Que sensação estranha!


Você não precisa e nem quer saber o que penso quando ouço seu número chamando em meu celular, vejo seu perfil no facebook, ou encontro seu cachorro correndo no quintal.
Você não precisa e nem quer saber o que imagino quando deito no teu ombro, espano uma sujeira de sua camiseta ou digo que esta na hora de vc cortar o cabelo.
Você nem imagina os lugares que já conhecemos juntos, as razoes subentendidas de nossas discussões, o seu nome sempre em minhas orações. Você não quer saber de nada porque sem querer já sabe de tudo mesmo querendo esconder.


Pri Bella

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