Brave or Fool? It's your choice!

Posts Tagged ‘paixão


O fim da noite, ou o começo, dependendo do ponto de vista era a parte que eles mais gostavam….

Depois de estar com os amigos, dar risada, trocar olhares e beijos rápidos na mesa do bar, ela lhe entregava as chaves do carro e era neste momento que tudo começava…

Não gostavam de ficar se agarrando no meio da galera. Não por pudor, por vergonha, muito menos por falta de vontade, mas quando estavam ali, com amigos ao lado, preferiam só o flerte. Sabiam o quanto era chato ter que obrigar os amigos a ouvirem beijos estalados e queriam se divertir como sempre foi, desde quando eram somente bons amigos. Respeitavam aquele momento e a individualidade deles.
Ela se juntava num canto da mesa pra fofocar com as amigas, enquanto ele assistia ao UFC com os garotos. Entre um diálogo e outro, ela bebia um gole da cerveja do copo dele e ele colocava as mãos nas pernas dela para deixar claro a qualquer marmanjo que aquela mulher “tinha dono”.
As noitadas eram divertidas, os amigos eram ótimos e eles realmente curtiam e precisavam destes momentos mas o mais gostoso vinha depois…
Quando eles entravam no carro. Ele dirigia com uma mão no volante e a outra na perna dela, enquanto ela fazia carinho no pescoço dele e alisava seu cabelo, bagunçando-o levemente. Mudavam a estação do rádio e sempre tinha uma música que eles gostavam tocando. Cantavam juntos. Se beijavam no semáforo fechado. Ele perguntava se ela estava com fome, e ligava o ar condicionado para aquecê-la do frio.
Comentavam sobre o papo que acabaram de ter com os amigos, e ele ria do jeito que ela falava quando bebia um pouco a mais. Faziam alguns planos bobos, e deixavam assuntos no meio do caminho.
Gostavam da sensação de estarem levemente embriagados de cerveja e de amor… Sem ninguém por perto pra julgar, somente as ruas da cidade para testemunhar.

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“O que está faltando nessa história é o choro. Você precisa chorar” – disse a psicanalista.

A sessão encerrou e Maria ainda ficou ali, em silêncio, pensativa, concordando com o que acabara de ouvir. Faltava extravasar fisicamente aquele maremoto que há semanas passeava pelo seu corpo e ameaçava afogá-la a qualquer momento.
Maria só saiu do consultório porque foi gentilmente expulsa pela analista, e ainda assim foi pra casa pensativa, sentindo as ondas irem e voltarem no seu estômago.

Tentou ajuda de filmes, músicas, lugares, qualquer coisa que a fizesse lembrar daquela história e pudesse provocar o vômito que era necessário pra se livrar de uma vez daquela azia.
Nada funcionou. E o pior era que em determinados momentos o mar se acalmava, e aquela sensação do vai e vem leve da marola a tomava, a deixava rendida e entregue aos encantos de Poseidon.

Naquela mesma noite da sessão de psicanálise, quando aquele dia perturbador já estava próximo de acabar, veio a oportunidade daquele choro finalmente sair.
No meio de uma conversa com meias-verdades, ela foi acusada de coisas que não fez, se sentiu incompreendida, falou só metade do que queria dizer, e descobriu sentimentos nela que a incomodou, porque ela acreditava que não tinha o direito de senti-los…Não por ele, não naquele momento. Ela se viu numa DR de uma relação que não existia. Ela se culpou, ela o culpou, ela se revoltou e ele fez birra. Ele encerrou a discussão no GRITO: CHEGA!
Pronto! A cena estava feita, parecia que cada detalhe tinha sido desenhado minuciosamente para que o desejo da pscicanalista se realizasse.
Maria então sentiu um tsunami se formando no peito, que subiu violentamente pela garganta e quando foi se libertar nos olhos, as lágrimas endureceram. Maria forçou mas não conseguiu chorar. Não conseguia também entender. . .Não entendia nada. Nem o que sentia, nem a discussão que acabara de ter, e nem porque prendia esse choro, como se com isso pudesse prolongar aquela história que já começou com prazo de validade vencido.

Com tudo engasgado e misturado dentro dela, Maria adormeceu e sonhou com ele. Acordou exatamente às 11h39 do dia 22 de setembro de 2012, no Equinócio. Sorriu para o universo agradecendo a resposta. Levantou-se, abriu a janela, viu a primavera florescendo, sentiu o vai e vem das ondas calmas se movimentando em seu peito, sem pressa, no ritmo da primavera. E foi assim, enquanto sentia a brisa calma no rosto, e ouvia os pássaros brindando a estação que chegara, que as lágrimas rolaram no rosto de Maria discretamente, sem dor, sem pensar em nada, só com a chegada da Primavera.


E foi então, enquanto eu procurava inspiração para começar este texto, que ele soltou um sonoro: FILHO DA PUTA enquanto assistia ao futebol.
Aquela voz firme ecoou em minha memória e imediatamente me lembrei da nossa história. Daquela barba malfeita roçando em meu rosto, dele me puxando pela cintura com uma das mãos, enquanto segurava um copo de cerveja com a outra. Lembrei do seu sorriso lindo, ora meigo, ora sacana, mas que em qualquer das situações me enfeitiçava…

E imediatamente me dei conta do porquê que a inspiração para escrever sobre aquela outra história não vinha, apesar de eu estar há horas lembrando dos momentos que vivemos, das palavras que ele me disse, dos nossos beijos, do seu rosto lisinho, suas tatuagens, seu interesse por astrologia, filosofia, teoria do caos…
Sentia que precisava vomitar tudo que estava entalado em minha garganta sobre esta história. Escrever sobre o assunto seria a melhor opção, sempre é…
Mas não consegui rabiscar sequer a primeira linha deste texto até ouvir o FILHO DA PUTA (interprete como quiser, a dubiedade é proposital)…

Pronto! Já me sinto aliviada! Mas, peraí? Eu falei sobre outro caso…Por que este alívio?

Porque conclui subitamente que aquela história antiga mas que ainda faz meu “beat acelerar” foi paixão. Esta de agora era só pressa de ser feliz. E as pessoas com pressa de serem felizes fazem cada bobagem!

NOTA DA AUTORA: Como o próprio nome do blog sugere, vc pode ser um corajoso ou um bundão. A escolha é sua! Eu escolhi ser corajosa, e escrevi aqui bem claramente os personagens reais…
Quero ver se vcs dois tb são corajosos! Se lerem, com certeza irão se identificar, então, deixe-me saber de alguma maneira que você o leu e o entendeu. . .
😉


Ele não tem o sorriso mais lindo do mundo como minha última paixão, nem me mima como fazia meu primeiro namorado. Ele não abre a porta do carro e nem cede sua vez pra mim, e muito menos se abaixa pra pegar algo que deixei cair. Ele não tem mãos grandes que só de me tocarem faz meu corpo arrepiar, nem braços com veias salientes como eu gosto. Ele não me dedica músicas como outros faziam, e nem usa aquela “barba por fazer” que deixa qualquer homem com um ar de cafajeste irresistível. Ele não tem olhos azuis como os de um dos meus ex-namorados, e nem se veste bem como um outro deles. A música que ele gosta não toca na estação que eu ouço, e os filmes que ele vê me dão sono!Mas ele me encanta, me irrita, me cansa…


Pri Bella

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