Brave or Fool? It's your choice!

Archive for setembro 2012


O fim da noite, ou o começo, dependendo do ponto de vista era a parte que eles mais gostavam….

Depois de estar com os amigos, dar risada, trocar olhares e beijos rápidos na mesa do bar, ela lhe entregava as chaves do carro e era neste momento que tudo começava…

Não gostavam de ficar se agarrando no meio da galera. Não por pudor, por vergonha, muito menos por falta de vontade, mas quando estavam ali, com amigos ao lado, preferiam só o flerte. Sabiam o quanto era chato ter que obrigar os amigos a ouvirem beijos estalados e queriam se divertir como sempre foi, desde quando eram somente bons amigos. Respeitavam aquele momento e a individualidade deles.
Ela se juntava num canto da mesa pra fofocar com as amigas, enquanto ele assistia ao UFC com os garotos. Entre um diálogo e outro, ela bebia um gole da cerveja do copo dele e ele colocava as mãos nas pernas dela para deixar claro a qualquer marmanjo que aquela mulher “tinha dono”.
As noitadas eram divertidas, os amigos eram ótimos e eles realmente curtiam e precisavam destes momentos mas o mais gostoso vinha depois…
Quando eles entravam no carro. Ele dirigia com uma mão no volante e a outra na perna dela, enquanto ela fazia carinho no pescoço dele e alisava seu cabelo, bagunçando-o levemente. Mudavam a estação do rádio e sempre tinha uma música que eles gostavam tocando. Cantavam juntos. Se beijavam no semáforo fechado. Ele perguntava se ela estava com fome, e ligava o ar condicionado para aquecê-la do frio.
Comentavam sobre o papo que acabaram de ter com os amigos, e ele ria do jeito que ela falava quando bebia um pouco a mais. Faziam alguns planos bobos, e deixavam assuntos no meio do caminho.
Gostavam da sensação de estarem levemente embriagados de cerveja e de amor… Sem ninguém por perto pra julgar, somente as ruas da cidade para testemunhar.


[ Há algum tempo escrevi este texto para um concurso de um outro blog. Ele não foi escolhido para ser publicado e ficou perdido nos meus e-mails. Havia esquecido dele mas hoje o encontrei. . .]

Ter amigos homens tem lá suas vantagens, e uma delas é poder mergulhar no universo masculino. Já é sabido que esse universo está loooonge de ser tão misterioso quanto ao nosso, mas rende boas surpresas e um excelente aprendizado.
Quando falo de amizade masculina, não pensem vocês que estou falando dessas relações de amigo homem-mulher que a gente vê em comédia romântica, e acha lindo! Aquele amigo, que mesmo hetero, vai com você ao shopping fazer compras, tem a maior paciência do mundo para te ensinar a jogar pôker e te leva no estádio para assistir o jogo com ele, com direito a pipoca e cachorro-quente.
Não! Pelo menos na minha vida real, essa convivência é bem diferente. E no começo, confesso, eu achava bem estranho, parecia até desrespeitoso a falta de tato que alguns amigos tinham comigo. Mas depois descobri que se eu estava entre eles, e mesmo assim eles falavam coisas do tipo: “sentei a vara na fulana” ou “que delícia aquele rabo”, é porque eu havia me tornado “bróder”. E aí minha amiga, virou brodér, fudeu! Prepare-se para ouvir coisas que nem nos seus sonhos mais pornográficos você imaginava. Porque sim, os homens só pensam em sexo (em futebol também)!

Esses dias, por exemplo, descobri que a qualquer momento eu posso tá sendo despida no meio da Avenida Paulista e nem perceber. Posso até estar de quatro ou cavalgando sem tomar o menor conhecimento. Aliás, eu posso não, todas nós, mulheres, podemos! Pois é amigas, os homens possuem visão de raio-X, e quando eles nos olham, na cabeça deles nós já estamos peladas e gemendo de prazer. E foram eles que me contaram isso, assim sem o menor pudor, enquanto caminhávamos para o almoço e passavam bundas bonitas ao nosso lado. Na hora que ouvi isto até abotoei meu casaco com medo de que a visão ultra biônica deles conseguisse alcançar meus peitos.
Pelo menos uma lição tiro disto, por mais que eu esteja sem perspectiva alguma para aquele dia, nunca devo sair de casa com lingerie zoada ou depilação vencida, porque sempre vai ter um homem que vai olhar além da minha calça jeans e da minha blusa decotada.

Agora, se quando você está por perto, seu “amigo” nunca fala de sexo, não olha ou comenta de uma Raimunda, se refere ao órgão sexual masculino como pênis, e nunca te deixa falando sozinha porque está concentrado no replay do gol do jogo do campeonato de segunda divisão, acredite, ele não é seu amigo, e sim tá fazendo tipinho pra te comer! O que não quer dizer, que o seu brother de verdade nunca tenha te imaginado nua, ou trepando com você, porque né. . . Homens! E irmãozinho, minha amiga, é só na TV!

P.S: Agradecimentos especiais a Caio Lopes e Edgar Marcel que na ocasião me serviram como fonte de inspiração e estudo. Saudades dos nossos almoços! E saudade maior ainda de ter um amigo, como vocês, no meu dia-a-dia.


“O que está faltando nessa história é o choro. Você precisa chorar” – disse a psicanalista.

A sessão encerrou e Maria ainda ficou ali, em silêncio, pensativa, concordando com o que acabara de ouvir. Faltava extravasar fisicamente aquele maremoto que há semanas passeava pelo seu corpo e ameaçava afogá-la a qualquer momento.
Maria só saiu do consultório porque foi gentilmente expulsa pela analista, e ainda assim foi pra casa pensativa, sentindo as ondas irem e voltarem no seu estômago.

Tentou ajuda de filmes, músicas, lugares, qualquer coisa que a fizesse lembrar daquela história e pudesse provocar o vômito que era necessário pra se livrar de uma vez daquela azia.
Nada funcionou. E o pior era que em determinados momentos o mar se acalmava, e aquela sensação do vai e vem leve da marola a tomava, a deixava rendida e entregue aos encantos de Poseidon.

Naquela mesma noite da sessão de psicanálise, quando aquele dia perturbador já estava próximo de acabar, veio a oportunidade daquele choro finalmente sair.
No meio de uma conversa com meias-verdades, ela foi acusada de coisas que não fez, se sentiu incompreendida, falou só metade do que queria dizer, e descobriu sentimentos nela que a incomodou, porque ela acreditava que não tinha o direito de senti-los…Não por ele, não naquele momento. Ela se viu numa DR de uma relação que não existia. Ela se culpou, ela o culpou, ela se revoltou e ele fez birra. Ele encerrou a discussão no GRITO: CHEGA!
Pronto! A cena estava feita, parecia que cada detalhe tinha sido desenhado minuciosamente para que o desejo da pscicanalista se realizasse.
Maria então sentiu um tsunami se formando no peito, que subiu violentamente pela garganta e quando foi se libertar nos olhos, as lágrimas endureceram. Maria forçou mas não conseguiu chorar. Não conseguia também entender. . .Não entendia nada. Nem o que sentia, nem a discussão que acabara de ter, e nem porque prendia esse choro, como se com isso pudesse prolongar aquela história que já começou com prazo de validade vencido.

Com tudo engasgado e misturado dentro dela, Maria adormeceu e sonhou com ele. Acordou exatamente às 11h39 do dia 22 de setembro de 2012, no Equinócio. Sorriu para o universo agradecendo a resposta. Levantou-se, abriu a janela, viu a primavera florescendo, sentiu o vai e vem das ondas calmas se movimentando em seu peito, sem pressa, no ritmo da primavera. E foi assim, enquanto sentia a brisa calma no rosto, e ouvia os pássaros brindando a estação que chegara, que as lágrimas rolaram no rosto de Maria discretamente, sem dor, sem pensar em nada, só com a chegada da Primavera.


E foi então, enquanto eu procurava inspiração para começar este texto, que ele soltou um sonoro: FILHO DA PUTA enquanto assistia ao futebol.
Aquela voz firme ecoou em minha memória e imediatamente me lembrei da nossa história. Daquela barba malfeita roçando em meu rosto, dele me puxando pela cintura com uma das mãos, enquanto segurava um copo de cerveja com a outra. Lembrei do seu sorriso lindo, ora meigo, ora sacana, mas que em qualquer das situações me enfeitiçava…

E imediatamente me dei conta do porquê que a inspiração para escrever sobre aquela outra história não vinha, apesar de eu estar há horas lembrando dos momentos que vivemos, das palavras que ele me disse, dos nossos beijos, do seu rosto lisinho, suas tatuagens, seu interesse por astrologia, filosofia, teoria do caos…
Sentia que precisava vomitar tudo que estava entalado em minha garganta sobre esta história. Escrever sobre o assunto seria a melhor opção, sempre é…
Mas não consegui rabiscar sequer a primeira linha deste texto até ouvir o FILHO DA PUTA (interprete como quiser, a dubiedade é proposital)…

Pronto! Já me sinto aliviada! Mas, peraí? Eu falei sobre outro caso…Por que este alívio?

Porque conclui subitamente que aquela história antiga mas que ainda faz meu “beat acelerar” foi paixão. Esta de agora era só pressa de ser feliz. E as pessoas com pressa de serem felizes fazem cada bobagem!

NOTA DA AUTORA: Como o próprio nome do blog sugere, vc pode ser um corajoso ou um bundão. A escolha é sua! Eu escolhi ser corajosa, e escrevi aqui bem claramente os personagens reais…
Quero ver se vcs dois tb são corajosos! Se lerem, com certeza irão se identificar, então, deixe-me saber de alguma maneira que você o leu e o entendeu. . .
😉


Pri Bella

Digite seu endereço de email para acompanhar esse blog e receber notificações de novos posts por email.

Junte-se a 1.090 outros seguidores

@pribella

Dias de inspiração

setembro 2012
S T Q Q S S D
« jun   out »
 12
3456789
10111213141516
17181920212223
24252627282930

Os favoritos da galera

  • Nenhum
%d blogueiros gostam disto: