Brave or Fool? It's your choice!

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[ Há algum tempo escrevi este texto para um concurso de um outro blog. Ele não foi escolhido para ser publicado e ficou perdido nos meus e-mails. Havia esquecido dele mas hoje o encontrei. . .]

Ter amigos homens tem lá suas vantagens, e uma delas é poder mergulhar no universo masculino. Já é sabido que esse universo está loooonge de ser tão misterioso quanto ao nosso, mas rende boas surpresas e um excelente aprendizado.
Quando falo de amizade masculina, não pensem vocês que estou falando dessas relações de amigo homem-mulher que a gente vê em comédia romântica, e acha lindo! Aquele amigo, que mesmo hetero, vai com você ao shopping fazer compras, tem a maior paciência do mundo para te ensinar a jogar pôker e te leva no estádio para assistir o jogo com ele, com direito a pipoca e cachorro-quente.
Não! Pelo menos na minha vida real, essa convivência é bem diferente. E no começo, confesso, eu achava bem estranho, parecia até desrespeitoso a falta de tato que alguns amigos tinham comigo. Mas depois descobri que se eu estava entre eles, e mesmo assim eles falavam coisas do tipo: “sentei a vara na fulana” ou “que delícia aquele rabo”, é porque eu havia me tornado “bróder”. E aí minha amiga, virou brodér, fudeu! Prepare-se para ouvir coisas que nem nos seus sonhos mais pornográficos você imaginava. Porque sim, os homens só pensam em sexo (em futebol também)!

Esses dias, por exemplo, descobri que a qualquer momento eu posso tá sendo despida no meio da Avenida Paulista e nem perceber. Posso até estar de quatro ou cavalgando sem tomar o menor conhecimento. Aliás, eu posso não, todas nós, mulheres, podemos! Pois é amigas, os homens possuem visão de raio-X, e quando eles nos olham, na cabeça deles nós já estamos peladas e gemendo de prazer. E foram eles que me contaram isso, assim sem o menor pudor, enquanto caminhávamos para o almoço e passavam bundas bonitas ao nosso lado. Na hora que ouvi isto até abotoei meu casaco com medo de que a visão ultra biônica deles conseguisse alcançar meus peitos.
Pelo menos uma lição tiro disto, por mais que eu esteja sem perspectiva alguma para aquele dia, nunca devo sair de casa com lingerie zoada ou depilação vencida, porque sempre vai ter um homem que vai olhar além da minha calça jeans e da minha blusa decotada.

Agora, se quando você está por perto, seu “amigo” nunca fala de sexo, não olha ou comenta de uma Raimunda, se refere ao órgão sexual masculino como pênis, e nunca te deixa falando sozinha porque está concentrado no replay do gol do jogo do campeonato de segunda divisão, acredite, ele não é seu amigo, e sim tá fazendo tipinho pra te comer! O que não quer dizer, que o seu brother de verdade nunca tenha te imaginado nua, ou trepando com você, porque né. . . Homens! E irmãozinho, minha amiga, é só na TV!

P.S: Agradecimentos especiais a Caio Lopes e Edgar Marcel que na ocasião me serviram como fonte de inspiração e estudo. Saudades dos nossos almoços! E saudade maior ainda de ter um amigo, como vocês, no meu dia-a-dia.


“O que está faltando nessa história é o choro. Você precisa chorar” – disse a psicanalista.

A sessão encerrou e Maria ainda ficou ali, em silêncio, pensativa, concordando com o que acabara de ouvir. Faltava extravasar fisicamente aquele maremoto que há semanas passeava pelo seu corpo e ameaçava afogá-la a qualquer momento.
Maria só saiu do consultório porque foi gentilmente expulsa pela analista, e ainda assim foi pra casa pensativa, sentindo as ondas irem e voltarem no seu estômago.

Tentou ajuda de filmes, músicas, lugares, qualquer coisa que a fizesse lembrar daquela história e pudesse provocar o vômito que era necessário pra se livrar de uma vez daquela azia.
Nada funcionou. E o pior era que em determinados momentos o mar se acalmava, e aquela sensação do vai e vem leve da marola a tomava, a deixava rendida e entregue aos encantos de Poseidon.

Naquela mesma noite da sessão de psicanálise, quando aquele dia perturbador já estava próximo de acabar, veio a oportunidade daquele choro finalmente sair.
No meio de uma conversa com meias-verdades, ela foi acusada de coisas que não fez, se sentiu incompreendida, falou só metade do que queria dizer, e descobriu sentimentos nela que a incomodou, porque ela acreditava que não tinha o direito de senti-los…Não por ele, não naquele momento. Ela se viu numa DR de uma relação que não existia. Ela se culpou, ela o culpou, ela se revoltou e ele fez birra. Ele encerrou a discussão no GRITO: CHEGA!
Pronto! A cena estava feita, parecia que cada detalhe tinha sido desenhado minuciosamente para que o desejo da pscicanalista se realizasse.
Maria então sentiu um tsunami se formando no peito, que subiu violentamente pela garganta e quando foi se libertar nos olhos, as lágrimas endureceram. Maria forçou mas não conseguiu chorar. Não conseguia também entender. . .Não entendia nada. Nem o que sentia, nem a discussão que acabara de ter, e nem porque prendia esse choro, como se com isso pudesse prolongar aquela história que já começou com prazo de validade vencido.

Com tudo engasgado e misturado dentro dela, Maria adormeceu e sonhou com ele. Acordou exatamente às 11h39 do dia 22 de setembro de 2012, no Equinócio. Sorriu para o universo agradecendo a resposta. Levantou-se, abriu a janela, viu a primavera florescendo, sentiu o vai e vem das ondas calmas se movimentando em seu peito, sem pressa, no ritmo da primavera. E foi assim, enquanto sentia a brisa calma no rosto, e ouvia os pássaros brindando a estação que chegara, que as lágrimas rolaram no rosto de Maria discretamente, sem dor, sem pensar em nada, só com a chegada da Primavera.


E foi então, enquanto eu procurava inspiração para começar este texto, que ele soltou um sonoro: FILHO DA PUTA enquanto assistia ao futebol.
Aquela voz firme ecoou em minha memória e imediatamente me lembrei da nossa história. Daquela barba malfeita roçando em meu rosto, dele me puxando pela cintura com uma das mãos, enquanto segurava um copo de cerveja com a outra. Lembrei do seu sorriso lindo, ora meigo, ora sacana, mas que em qualquer das situações me enfeitiçava…

E imediatamente me dei conta do porquê que a inspiração para escrever sobre aquela outra história não vinha, apesar de eu estar há horas lembrando dos momentos que vivemos, das palavras que ele me disse, dos nossos beijos, do seu rosto lisinho, suas tatuagens, seu interesse por astrologia, filosofia, teoria do caos…
Sentia que precisava vomitar tudo que estava entalado em minha garganta sobre esta história. Escrever sobre o assunto seria a melhor opção, sempre é…
Mas não consegui rabiscar sequer a primeira linha deste texto até ouvir o FILHO DA PUTA (interprete como quiser, a dubiedade é proposital)…

Pronto! Já me sinto aliviada! Mas, peraí? Eu falei sobre outro caso…Por que este alívio?

Porque conclui subitamente que aquela história antiga mas que ainda faz meu “beat acelerar” foi paixão. Esta de agora era só pressa de ser feliz. E as pessoas com pressa de serem felizes fazem cada bobagem!

NOTA DA AUTORA: Como o próprio nome do blog sugere, vc pode ser um corajoso ou um bundão. A escolha é sua! Eu escolhi ser corajosa, e escrevi aqui bem claramente os personagens reais…
Quero ver se vcs dois tb são corajosos! Se lerem, com certeza irão se identificar, então, deixe-me saber de alguma maneira que você o leu e o entendeu. . .
😉


Você não precisa e nem quer saber o que penso quando ouço seu número chamando em meu celular, vejo seu perfil no facebook, ou encontro seu cachorro correndo no quintal.
Você não precisa e nem quer saber o que imagino quando deito no teu ombro, espano uma sujeira de sua camiseta ou digo que esta na hora de vc cortar o cabelo.
Você nem imagina os lugares que já conhecemos juntos, as razoes subentendidas de nossas discussões, o seu nome sempre em minhas orações. Você não quer saber de nada porque sem querer já sabe de tudo mesmo querendo esconder.


Os homens covardes me enojam.
Aqueles que querem arrumar alguém pra culpar por suas frustrações.
Aqueles que sempre vão com a opinião da maioria.
Aqueles que culpam os outros por suas falhas.
Aqueles que têm medo de errar, sempre.
Aqueles que te acusam de ser algo que na verdade eles são.
Aqueles que fazem uma mulher chorar, como eu chorei hoje.


Pri Bella

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